Rabiscos de Sábado: Por mais que eu durma... Não descanso!
Dormir é uma das coisas mais extraordinárias
da vida. E o melhor: é de graça =)! Sentir os pensamentos se perderem em uma
sensação de relaxamento muito peculiar, aconchegar-se em um lugar confortável e
mergulhar no “universo paralelo”, onde aprendizados e memórias podem ser
roteirizados pelo subconsciente virando sonhos e/ou pesadelos. Adormecendo,
sentimos que de alguma forma a vida dá um intervalo, onde os olhos fechados nos
libertam da realidade, às vezes dolorosa, do cotidiano.
Bocejos indicavam que o corpo tinha uma petição: cama! O leito de sonhos e repouso parecia uma zona de conflito. Roupas, cadernos, notebook e a toalha molhada faziam parte do caos que, surpreendentemente, era muito confortável. Os travesseiros recebiam com carinhos, aqueles pensamentos bagunçados. O edredom do inverno entrou na primavera para aquecer o corpo, enquanto os pés tomavam a fresca da madrugada. Reviravoltas na cama, até aquietar os pensamentos e adormecer. Sonhos e pesadelos se misturaram durante a noite. Dormia e acordava, repetidamente, logo, não descansava. O sono direcionava tudo ao seu redor. Dias e noites sem fim. Silenciosamente, pensava que não havia melhor lugar no mundo que sua cama. Se pudesse, apenas dormiria. Na verdade, intimamente, já estava fazendo isso.
Creio que com o passar dos anos,
minha necessidade de dormir tornou-se mais forte. Antigamente,
entregar-me ao sono parecia um desperdício de tempo, afinal a vida estava lá
fora. Agora, qualquer trinta minutos depois do almoço é valido para que, eu
exerça o ato popularmente denominado de “Jiboiar”, ou seja, comer e dormir. A
rotina de trocar o dia pela noite muda nosso perfil de sono, diminuindo ou
aumentando drasticamente as horas que dedicamos a ele. Pessoas com depressão,
ansiedade e outros quadros psicológicos, muitas vezes recorrem ao sono como um
lugar onde não precisam ser, pensar e decidir nada. Certa vez, conversando pelo
telefone com um amigo, enquanto estudávamos Provérbios, confessei que andava
mais sonolenta que o normal, e o pior era saber que mesmo dormindo o acordar
sempre era cansativo. Para minha surpresa, um sonoro "eu também" ecou
do outro lado da linha. Siiim... Nossa geração tem se tornado refém de um sono
que de alguma forma prende, limita e não cumpre sua função essencial: promover
o descanso do corpo e, até mesmo, da consciência.
O sono profundo, nem sempre é uma
realidade, afinal nem todo mundo consegue desligar-se dos problemas e deixar o
corpo dormir. Outras escolhem esse lugar de inércia como a fuga perfeita, onde
nada pode atacar e pesadelos são apenas imagens desfeitas, com um simples abrir
de olhos. Adormecer torna-se o lugar do isolamento e quem recorre a esse
recurso, por vezes esquece que quem “Busca satisfazer seu próprio desejo aquele
que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria (Provérbios 18:1)”. Mesmo
que, em alguns momentos o sono pareça o melhor lugar, a vida nos diz de
diversas formas que precisamos ir para fora. Também em Provérbios 20:13, somos
exortados a não amar o sono, para que não empobrecermos; abrindo nossos olhos
para que nos fartemos de pão. Sugiro que comecemos reorganizando nossos
horários de sono, melhoremos nossa alimentação, agarremos a Palavra como nossa
amiga e encontremos as estratégias para que dormir seja um momento de repouso e
não uma caverna, onde nos escondemos de nós mesmos.
Beijos, Queijos e aquelas divinas 8h de sono por dia,
Gratidão ao Guilherme
Bandeira, pela liberação do uso de seus cartoons nos meus "Rabiscos de
Sábado: Razão x Emoção". Conheça mais deste trabalho
em https://www.facebook.com/objetosinanimadoscartoon/.
sábado, 7 de outubro de 2017
(In)satisfeito
Quase nunca estamos contentes, plenos e realizados. Há em nós um dissabor pelo ideal não alcançado e tão projetado. Embora, tenhamos motivos de sobra para gratidão, reina sempre um suspiro de usurpação pelo que não possuímos.
Amo brincar de cortar, montar e analisar pedaços das palavras, além fazer trocadilhos. Meditando agradecida pelas dádivas alcançadas, notei que uma angústia tomava meu ser: in-satisfação!
Numa nova rotina imersa pelo inglês, em que "in" significa dentro; picotei o prefixo "in" da palavra e viajei em imaginar que, de fato a satisfação transborda, mas um coração com a negativa IN... contamina tudo que tem dentro.
Lúcifer foi o primeiro exemplo de insatisfação. Grande, honrado e talentoso, seu coração ardeu por mais. Ser o maior, semelhante ao Altíssimo. (Is 14:12) A serpente também semeou isso em Eva. (Gn 3:5) As consequências para o orgulho, desobediência e independência de Deus foram desastrosas.
"Deus pode dar um fim aos contentamentos descontentes."
Última dança das palavras nesse texto, prometo. Você já notou que as palavras satisfação e satisfeito contém as palavras AÇÃO e FEITO?!
Não alimente expectativas, utopias ou o ainda distante futuro. Valorize e sacie-se pelo que já possui, com o hoje. Seja feliz com o que está FEITO! Entregue a Deus o porvir. Certamente, os seus níveis de realização serão surpreendidos. Pois, Aquele que já providenciou o DONE (tradução: feito) é o DONO da vida; especialista em fazer melhor do que pedimos ou pensamos.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Tag :
Tainan Piantavinha
O que você é sem mim?
Os erros que cometemos são totalmente úteis, pois nos advertem do quanto somos dependentes da misericórdia de Deus. Através deles lembramos que, não existe nada em nós fora Dele, que não há motivos para se gloriar. Se nos distanciarmos um pouco sequer da sua presença, voltamos a ser mais vulneráveis e, limitamo-nos a ser simplesmente o que a princípio éramos: pó.
Foi refletindo sobre o tamanho da nossa necessidade de permanecer em Deus e tentar ser como Ele, de olhar com os olhos Dele sobre o mundo e as pessoas, que as palavras e reflexões seguintes surgiram.
Foi refletindo sobre o tamanho da nossa necessidade de permanecer em Deus e tentar ser como Ele, de olhar com os olhos Dele sobre o mundo e as pessoas, que as palavras e reflexões seguintes surgiram.
Filhinhos, sois de Deus, e já os venceram; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve. 1 João 4:4,5
Já percebeu o que a falta da minha presença causa dentro de você? Sem a minha presença, você não consegue sorrir de verdade, não consegue ser gentil e ceder o seu assento no ônibus, foge de todas as situações que te desafiam e perde o foco. Sem a minha presença você não consegue nem abrir a bíblia, nem orar e me louvar. Você só enxerga o impossível e que tudo é fora demais de sua capacidade, sem a minha presença você nem consegue me amar. Não consegue se perdoar e perdoar outras pessoas; tem dúvidas da minha capacidade de agir e cuidar de todas as coisas, você não consegue esperar, não consegue confiar. Sem a minha presença você tem pensamentos maus, tem atitudes que te reprimem e te deixam completamente no chão. Sem a minha presença seu coração fica vazio. Sem a minha presença é difícil de viver. Percebe o que a minha ausência causa dentro de você? Você nasceu pra ser habitação. Uma casa sem habitação é suja, maltratada, com paredes machucadas... Vazia.
Agora imagine as pessoas que não me deixam habitar dentro delas, ou as que só me tem superficialmente. Elas terão influências que não são as minhas, atitudes que não vem de mim, serão movidas pelo inimigo. Por isso que a tua luta não é contra carne nem sangue. Ninguém consegue ser melhor sem a minha presença. Lute contra teu inimigo, perdoe as pessoas, perdoa quem te fere, perdoa quem te decepciona, passa por cima dos erros de quem tem errado com você, tem gente que não é influenciada por mim. Eu te ajudo a perdoar e amar, basta que você me busque. Você precisa ser a luz, lembra? A luz incomoda às vezes pelo seu brilho, mas ela traz clareza e mostra o que devemos ser.
Você é instrumento de clareza para almas. Segura firme na minha mão, deixa eu morar em você. Mesmo que tudo esteja complicado agora, sua casa está em reforma, pode doer, mas ficará linda. Eu te vejo como Deus, eu cuido de você de uma maneira que você não tem capacidade de entender, nada do que eu faço é para te prejudicar, eu sou o Pai celestial que cuida dos filhos desta terra.
Nadiny Aylla
A coluna de segunda, "Presentes", publica textos de nossos leitores e não expressa necessariamente a opinião deste site. Se também deseja que seu texto seja publicado, envie-nos para o e-mail worksolteiros@gmail.com.
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Tag :
Presentes
O que a Bíblia tem a ver com o meu comportamento? (PARTE 5)
Já dizia a minha mãe, “tudo que vem fácil, vai fácil”. Semana passada nós conversamos sobre ter paciência e investimento de tempo no estudo das Escrituras, hoje, a conversa tem uma linearidade e uma continuação bem traçada ao “P” anterior. Por que em todo processo precisamos ter paciência, fácil de compreender, não é mesmo?
WILKIN (2015), traça sugestões para um estudo bíblico mais consciente e expressivo na vida da mulher cristã. Não tem muito valor a pessoa apropriar-se de um modelo de conduta se esse não se faz expressivo em sua vida e em sua comunidade. Vimos que precisamos ter um Propósito ao ler nossas Bíblias, ter uma Perspectiva sobre a relação da história com o presente e como podemos aplicar em nosso cotidiano, como também, ter Paciência para entende-la, nem sempre é tão fácil assim.
Estudar com processo é saber que uma leitura de 15 minutos (que nem sempre é diária) não vai fazer muita diferença para você conseguir identificar a exegese do texto, por exemplo. Como já falado nos textos anteriores, escrevo apenas para que vocês se sintam intimidadas e interessadas para ler o livro, então digo que é um resumo bem superficial do modelo esquemático que a Jen nos oferece.
ETAPA 1: Compreensão - O que o texto diz? Nessa etapa, a autora aponta que a importância de entender o que se diz e ainda salienta que a maioria dos estudantes negligenciam esse momento.
ETAPA 2: Interpretação - O que o texto significa? Na verdade, a segunda etapa caminha entre a primeira e a terceira literalmente, é um lugar de transição entre compreender e aplicar.
ETAPA 3: Aplicação - Como o texto deve me transformar? Depois de saber o que significa o texto precisamos, saber o que as Escrituras mostram na forma de viver.
Por hoje é só, espero que essa maneira transformadora de estudar as escrituras te encante cada vez mais!
WILKIN, Jen, “Mulheres da Palavra: como estudar a bíblia com nossa mente e coração”, São José dos Campos, SP: Fiel, 2015.
domingo, 1 de outubro de 2017
Tag :
Isabely Santos
Rabiscos de Sábado: E, quando a opção é recomeçar?
Compreender, teoricamente, que
cada coisa tem o tempo exato de começar e terminar é fácil. Na escola primária,
aprendemos que o ciclo da vida é limitado entre o nascer, crescer, reproduzir e
morrer. Hoje, quando olho pra minha vida particular e reconheço o movimento do
tempo, percebo que de fato na dimensão do aqui e agora, nada é eterno. Como bem
diz o Provérbio Português “Não há bem que sempre dure e nem mal que nunca se
acabe”. Seja um namoro de cinco anos, onde as promessas de um casamento são
esvaziadas pela rotina; a escolha de prender-se em um relacionamento abusivo mesmo
com provas constantes de desamor, que impedem o projetar de um milagre que salve
o casal que nunca foi de dois ou a ilusão do quase amor que deixou de ser, sem
nunca ter sido: chega o momento em que somos levados para o fim, a morte, a
interrupção da rota que exige uma mudança de direção definida por nós mesmos.
“ Entendeu que as cartas pensadas e nunca escritas, não seriam lidas por esse alguém que em uma terça-feira qualquer, saiu do lugar de mais um rosto na multidão e preencheu seu imaginário com leves e doces sonhos de um futuro a dois. Mesmo ele não tendo entrado na sua vida, não sabia bem o que fazer com o coração que estava arrumado e ansioso por sua chegada. Olhou para dentro e viu as memórias dos encontros casuais organizadas cronologicamente; sabia que era necessário se desfazer de tudo aquilo. Não queria mais vê-lo. Desejava tornar-se invisível, pois seria muito cruel lidar com sua gentil presença em mais um encontro casual. Bagunçou-se para terminar o relacionamento estável que tinha desenvolvido com a ilusão. As caixas cheias do que se tornou lixo emocional, ilustravam a necessidade e única opção que ela poderia escolher naquele momento: recomeçar!”
Todo fim pressupõe a necessidade
de um novo começo, mas nem sempre estamos dispostos a empreender dentro de nós,
pois fazer uma faxina e descartar o lixo emocional é o tipo de ação que além da
dor, dá muito trabalho. Aqui, quando
escrevemos sobre relacionamentos focamos nos solteiros, pois antes do SIM
existe uma gama de possibilidades, ações e escolhas que podem ser acionadas no
movimento da vida que traz e leva todas as coisas. No primeiro texto, pontuei
que biblicamente estávamos baseados no entendimento que “Tudo tem o seu tempo
determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o
que se plantou (Eclesiastes 3: 1-2)”. Faz-se necessário que entendamos: cada
conclusão de ciclo, exige de nós tempo e espaço para que a casa interior seja
arrumada, oportunizando assim o recomeço. Muitas pessoas trocam de amor como
quem muda de canal na TV ou se livra dos anúncios no YouTube, pois no mundo, existe uma visão distorcida de que
a única coisa que cura a frustração de um amor mal sucedido ou não
correspondido é um novo relacionamento.
Cuidado! Ninguém tem como ocupar
seus espaços vazios. Esse dom não foi dado aos humanos. Pensar que um novo
relacionamento vai completar ou refazer sua vida do ponto em que ela parou é um
engano. Não invista na “tentativa e erro”
quando o assunto é a sua saúde emocional, diante de relacionamentos amorosos
que não deram certo. A dor que nos obriga a pensar em novos rumos precisa ser
encarada como um impulso pra frente e não como uma ancora que nos prende no
mesmo lugar. Você não precisa ser de todo mundo na tentativa de sufocar a
tristeza, frustração, solidão e o vazio de estar sem o “BoyUnção” ou a “Toda
Abençoada”. Aproveita e faça da única
opção sua melhor escolha... Recomece!
A vida tem dessas coisas... Em meio aos sins e
nãos ela só espera uma atitude / escolha de nós: coragem.
Beijos e Queijos,
Gratidão ao Guilherme Bandeira, pela liberação do uso de
seus cartoons nos meus "Rabiscos de Sábado: Razão x Emoção".
Conheça mais deste trabalho em https://www.facebook.com/objetosinanimadoscartoon/.
sábado, 30 de setembro de 2017
Relações amorosas: Adolescentes X Suicídio
O suicídio é um ato que vem aumentando ao longo do desenvolvimento da vida e, infelizmente os adolescente não estão fora dessa realidade. A pressão da sociedade em todas as áreas da vida fazem que o adolescente cobre cada vez mais do que pode dar no momento. É perturbador para eles o fracasso de um vestibular não ser compreendidos pelos pais, se sentirem perdidos quanto a sua identidade e, certamente, no termino de um romance.
Todos nós sabemos que o adolescente passa por um momento de transição nesse estágio da vida e, que, é normal os inúmeros conflitos nessa fase. Compreende – se que o ajuste familiar juntamente com amigos faz com que o jovem compreenda melhor seus desafios e consiga passar nas etapas das longas e curtas fases da vida. “ A família e os amigos são essenciais para amortecer os sérios problemas emocionais da adolescência principalmente a depressão e raiva, que podem levar ao suicídio ou a crimes violentos.” ( Berger, 2016).
Nos rompimentos amorosos existem a falta de equilíbrio emocional para lidar com os términos. Os “ nãos” que o suposto objeto de amor possa dar, traz ao ser que ama uma “morte lenta” dentro de si mesmo. Como citou, Berger ( 2016), “ O suicídio é uma indicação do estresse emocional que muitos adolescentes experimentam”. O desgaste afetivo é extremamente favorável para a busca da “eliminação da sua dor”. Nenhuma fase do desenvolvimento humano dura para sempre. O ser humano está em constante transformação e isso faz de nós seres sublimes. Todos os seres humanos enfrentam problemas, as dificuldades podem ser maiores ou menores, mas, não podemos invalidar a dor e a alegria do outro.
Para o adolescente no seu processo de encontro pessoal com a vida, possa aparecer ao longo da caminhada dificuldades diferentes dos outros, e podem trazer um desencadear de outros problemas. Porém, faz parte desse ciclo e os ajustes são necessários. Todas as famílias passam por problemáticas sociais, financeiras, emocionais, mas, prosseguem para o respeito mútuo e superação continua.
A ajuda familiar faz toda diferença nesse processo de maturação. Os exemplos podem originar melhorias significantes para cada sujeito. Os amigos podem ser ótimos companheiros para o momento de dor, e a possibilidade de se permitir amar outra vez , certamente, traz o alivio de que nascemos e seguimos nas perdas e ganhos da vida.
Segundo o que diz Berger ( 2016), “ os adolescentes são por natureza, inovadores, idealistas, desafiadores de riscos, abertos a novos padrões, objetivos e estilos de vida.” Isso traz um novo olhar sobre o futuro de cada um dos jovens que passam por conflitos tão tensos nessa época, além de serem exemplos de seres em maturação trilhando novas jornadas.
“ Os jovens podem encontrar uma trilha que os afaste das restrições e do peso do passado, cheios de interesse e prontos para o futuro. Essa trilha conduz à fase adulta” ( Berger, 2016). Essa é a esperança para cada um desses adolescentes que vivem hoje em conflitos internos e externos. O poder de evoluir e buscar a mudança em si mesmo, se fazendo um ser autentico e capacitado o suficiente para atingir novos horizontes.
Steffany Reis
Psicóloga | CRP/ IP15393
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
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Presentes
Rabiscos de Sábado: Aconteceu... Começou!
A Primavera começou ontem no
Hemisfério Sul, e esse clima de flores e frutos nos prepara a passos lentos
para o Verão, movimentando nossas emoções e expectativas de que, a qualquer
momento uma coisa realmente boa pode acontecer. Aproveitando a poesia dessa
estação, nesse e no próximo sábado vamos ter textos interligados na observação
do começo e do recomeço, quando falamos do amor romântico entre um homem e uma
mulher. Quem sabe o “Sol da Primavera”
trará pra sua vida a oportunidade e um novo tempo para dar os primeiros passos
de um amor pra vida inteira? Esses
textos são biblicamente fundamentados em Eclesiastes 3: 1, 2.
“Estava cansada dos “quases” que nunca se concretizam. Decidida e empenhada na reinvenção de si mesma, começou lendo outros livros e assistindo seriados que até ontem não sabia que existiam. Usou a tesoura do desejo de mudar e cortou o cabelo. Fez uma lista das transformações que empreenderia de dentro pra fora. Já não era mais a mesma pessoa. O trabalho novo era cansativo e inspirador. Gostava do salário, rotina e convivência com um universo de pessoas que não sabiam nada sobre seu passado. Buscava todos os dias, um novo desafio para reinventar a rotina. A novidade preferida era mudar o local onde almoçava. E, em mais uma terça-feira qualquer, partiu em uma caminhada ritmada para comer em um local diferente. Entre mordidas e goles, o viu chegar. Conhecia o rosto, mas como não tinha intimidade, limitou-se ao meio sorriso dos que apenas não são estranhos. Voltou sua atenção novamente ao prato que estava a sua frente, quando foi provocada pela presença masculina que com a bandeja em mãos, disse: posso almoçar com você? O desafio de dizer sim, venceu a vontade de proteger-se através do “já comi, pode ficar com a mesa”. Olhou atentamente para aquele homem e pensou: Aconteceu... Começou um possível amor...”
Nesse ano tornei-me uma
consumidora ativa de doramas, seriados da Coréia do Sul. Aos poucos, fui entendendo
que existe uma multidão de brasileiros que assistem esses produtos que são do outro lado do mundo. Entre os argumentos que justificam a
inserção dessa linguagem na rotina dos ocidentais, a forma como o começo das
relações amorosas é apresentado se destaca. Quando consumimos seriados
brasileiros e norte americanos, por exemplo, até a metade do primeiro episódio
já vimos o começo, meio e fim de um amor e, o primeiro beijo mais parece o passo desesperado para uma relação sexual do que, o gesto inicial e concreto de afeto entre
um casal. Já os doramas, em sua maioria
com 16 episódios, só trazem o primeiro beijo a partir do 9 ou 10 e, caso a cena
seja apresentada antes disso, o publico é presenteado com miudezas românticas
que minimizam uma visão de amor associada mais ao erotismo do
que a delicadeza.
Não sei como os homens pensam e
sentem o começo de um amor, mas como mulher eu gosto da ideia de um inicio que
se faz passo a passo, sabe? Conquistar e/ou deixar-se ser conquistado, não
precisa ou deve ser um jogo de quem pode mais. Aprendemos e replicamos modelos
de galanteios arrebatadores, mas vazios de sentimentos sinceros.
Idealizamos o padrão ideal de corpo, voz, personalidade e conquista
assemelhando nossas preferências ao que consumimos midiaticamente, como homem ou
mulher ideal. Querer encontrar alguém
que tenha “borogodó” não é um pecado mortal, mas isso apenas não tem o poder de
gerar um começo maduro e frutífero para história de dois que ao se encontrarem, decidem investir na empreitada de ser um.
Eu não sei o quando e onde / Eu te encontrarei /Mas em cada passo que eu dou / Eu me sinto cada vez mais perto / Meu amorCarta Escondida – Henrique Cerqueira
Mesmo mantendo os pés no chão,
perceber e viver o começo de um relacionamento com leveza e romantismo deve ser
maravilhoso. Evite a queima de fases,
pois aqueles que já passaram ou estão passando pelo começo nesse exato momento, dizem que o sabor dos primeiros passos é inesquecível. Vale à pena
semear as boas sementes em nós mesmos, permitindo que em meio à rotina que endurece nossos corações e esfria nossa capacidade de amar,
sempre exista um espaço para que uma raiz rompa o asfalto e brote em flor no
meio do cinza endurecido da nossa vida. E nessa Primavera façamos, vamos amar!
Beijos e Queijos,
Gratidão ao Guilherme Bandeira, pela liberação do uso de
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sábado, 23 de setembro de 2017




